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Quando se pensa em vinho de guarda, imediatamente os tintos vêm em mente. A sua estrutura construída com os taninos ajuda naturalmente esses vinhos a envelhecer ao longo do tempo. Mas não podemos esquecer que o potencial de guarda não é uma noção exclusiva desses vinhos porque um outro elemento primordial ajuda os vinhos a atravessar os anos, as décadas e as vezes mais que um seculo; a acidez. Sempre uso a metáfora seguinte para explicar a importância da acidez: Se os taninos são os músculos do vinho, a acidez é sua espina dorsal. É ela que vai manter o vinho equilibrado no tempo principalmente com os brancos. Ao longo do tempo os taninos podem se amaciar e quase desaparecer, mas a acidez deve ficar presente para manter o vinho vivo, sem ela o álcool torna se presente demais e o vinho não mostra mais vida. Outro elemento que pode ajudar os vinhos brancos a envelhecer bem é o açúcar residual que pode se encontrar em diversas quantidades acabando definindo o estilo de vinho de um vinho branco seco, demi-sec ou licoroso. Os açucares são formidáveis anti-oxidente é não é raro de encontrar vinhos licorosos de mais de 100 anos. Temos no Château Rieussec algumas garrafas já de idade estimável que, com certeza, poderão trazer muita felicidade para meus filhos ou até meus netos. Agora alem dessa parte química do vinho, precisamos levar vários outros fatores de grande importância para o potencial de guarda como as castas usada na vinificação, o seu terroir, e enfim nunca podemos esquecer, o vinho vem da mão do homem e o talento do enólogo ou do maître de Chai pode se mostrar primordial. Portanto eu gostaria de usar um exemplo que reuni todos esses elementos e que me vem imediatamente em mente, são os vinhos do meu amigo Daniel-Etienne Defaix. Desde nosso primeiro encontro, seus vinhos, conhecidos no mundo inteiro por seu potencial de guarda, me impressionaram. Ele sabe sublimar todas as qualidades da casta rainha da Borgonha e de Chablis, o Chardonnay. Mas a casta não é suficiente em si, ela precisa de um terroir excepcional para puder maturar perfeitamente e ter todo o potencial para fazer um grande vinho branco de guarda. Os terroir dos seus históricos Premier Cru, Lechet, Les Lys e Le Vaillon trazem isso. Quando nós andávamos nos vinhedos ele me mostrou as pedras espalhada entre os peses de videira. Essas pedras brancas de calcário estavam cheias de minúscula ostras fossilizada... “Exogira Virgula!” diz ele orgulhosamente. “São delas que vem essa mineralidade tão particular e graças a elas que nossos vinhos têm essa extraordinária atitude a passar no tempo lentamente”. Quando nós visitemos suas adegas ele me mostrou também um outro segredo. Dezenas de tanque pichado de letras e números. Era os vinhos de várias safras aguardando seu momento para o engarrafamento. Como vários outros produtores do mundo inteiro, mas certamente com uma dexteridade e um talento alcançado por poucos, Daniel-Etienne e hoje seu filho Paul-Etienne sabem em primeiro lugar prensar de maneira subtil e delicada as uvas e depois deixar o vinho em contato com as borras (o famoso método sur Lie) e efetuar os bâtonnages (remoagem) necessários para criar um efeito químico extremamente importante com as leveduras que vão pouco a pouco, oxidar levemente o vinho, e assim proteger o vinho contra a oxidação que se aplica aos vinhos ao longo do tempo. Assim os Chablis Premier Cru Lechet, Vaillon ou Les Lys de Daniel-Etienne podem atravessar as decadas sem problemas. Aquele dia, provemos uma venerável garrafa de Les Lys 1947 que apresentava ainda muita juventude com uma bela acidez, e fantástica mineralidade. Essa lembrança me leva a um outro ponto que eu acho muito importante quando se trata de vinho branco de guarda. Você não pode esperar umas especificidades organoléptica iguais com um vinho branco que já tem 10, 15 ou mais de 20 anos. Já quando você serve esse viinho sua cor mostra um ouro dourado bem diferente do amarelo esverdeado dos brancos jovens. Mais o vinho branco vai envelhecendo, mais sua cor vai escurecer, isso é um efeito do tempo totalmente normal e que, dependido da casca, da safra e do terroir de origine, será mais ou menos pronunciado. Por exemplo, os maravilhosos Muscadet sur lie do cru Château Thebaut produzido pela famille Lieubeau tem mesmo depois de 15 anos uma cor de uma juventude extraordinária. Nós provemos recentemente a safra 2009 juntos e o vinho claramente mostrava um caractere de adolescente muito jovial, frutado e fresco. Eu espero puder provar esse vinho daqui uns 10 ou 15 anos e com certeza teremos um vinho mais maduro mais complexo e ainda com tempo pela frente. Se você atravessa a França, deixa a encosta atlântica onde ficam os Muscadet e vai para Leste na fronteira alemão, a esplendida região da Alsácia oferece, além de sua maravilhosa gastronomia, numerosos vinhos de extraordinário potencial de guarda. Me lembro muito bem provar quando eu era jovem uns Riesling com meu pai já de bela idade. Aqui, eu tenho o prazer e a grande chance de trazer os néctares do Domaine Weinbach. Seus vinhos de Gewurztraminer, de Pinot Blanc mas particularmente de Riesling tem uma tremenda propensão a envelhecer! Quando se trata de um Grand Cru como o Schlossberg, pode esquecer essa garrafa numa adega que ela será ainda perfeita na hora de abrir. Meu pai me contava quando abria um Riesling dessa região a incrível história do Général Leclerc que liberou Strasbourg em 1944 e se viu oferecer uma taça de Riesling que vem de um tonel entreposto nas adegas do Hospicio de Strabsourg. Esse vinho foi produzido em 1472, sim 1472 você não está sonhando, vinte anos antes da descoberta das américas, um vinho branco de 548 anos, que é ainda bom para beber. Não muito longe de lá nas regiões Mosel ou no Reinghau encontram se também grande brancos de guarda produzido a partir dessa casta. O mítico Schloss Johanissberg que eu tive a chance de provar umas vezes é certamente um dos melhores exemplos de grande branco com potencial de guarda. Esse mundo dos vinhos brancos de guarda é apaixonante e apesar de ser produtor de uns dos melhores tintos do mundo e com potencial de guarda excepcional eu sempre fiquei espantado pelos brancos que podem rivalizar na mesa com um vinho como o Lafite Rothschild. Alem do Grand Cru Montrachet do Domaine de la Romanée Conti que se passa de comentário já que se trata talvez de um dos melhores vinhos do mundo, todas as cores confundidas, tenho um afeto especial para um cru especifico e por um produtor em particular, se trata do Corton Charlemagne do domaine Bonneau du Martray. A degustação desse vinho e particularmente, umas garrafas mais antigas, me lembra minha juventude quando eu ia na escola com os filhos dos proprietários. O vinho é assim, ele é uma extraordinária máquina do tempo. Lá os brancos de guarda são tratados diferentemente, alem de ser muitas vezes decantado, eles são abertos depois dos tintos e se degustam entre 14 e 16 graus de temperatura. Faz sentido, você não procura mais o aspeito refrescante, jovial de um branco jovem, os aromas são diferentes com notas de cera, resina, mel de especiarias tipo curry, de tabaco ou de couro as vezes. Essa temperatura é perfeita para ressentir o aspeito voluptuoso de um branco de 10 ou 20 anos. Do mesmo jeito os pratos para acompanhar tal vinho são diferentes das especialidades que harmoniza com um branco jovem. Para esse tipo de brancos você vai optar para umas carnes brancas com trufas ou morelhas, ou uma carne de vitelo com creme. Assim você pode achar nesses pratos aromas, sensações na boca que você encontra também no vinho e isso é maravilhoso. Pensando em gastronomia eu não posso me impedir de pensar na minha região, Bordeaux.e apesar minha região esteja considerada com produtora de uns dos melhores tintos do mundo, Bordeaux e particularmente a margem esquerda, tem a chance de produzir uns belos exemplares de brancos de guarda. Abrir um Pessac Leognan de 20 ou 30 anos ainda muito jovem não é coisa rara, pode acreditar. E quando você acompanha-lho de um filê de salmão defumado caseiro, pode acreditar que você não está muito longe do paraíso! Recentemente nós tivemos a chance de encontrar numa feira de vinho um jovem casal que produz um lindíssimo Saint-Émilion, na margem direita, o Château Croix de Labrie, e posso dizer para você que alem desse tinto que com o tempo vai certamente ser considerado com um dos grandes vinhos dessa denominação, o seu branco Stela Solare me surpreendeu muito e tenho certeza que esse vinho poderá ser provado daqui uns 10 ou 20 anos sem problema. Os exemplares de grandes brancos podem se encontrar em quase todas as regiões francesas e em varais regiões do mundo. Os Chenin do Vale do Loire mostram uma resistência ao passar do tempo que sempre impressiona em degustação. Se trata talvez com a casta Riesling dos vinhos brancos os mais resistente. Num estilo totalmente diferente, mas que não falta de charme, são os brancos do Vale do Rhône com seus lendários Condrieu produzido a partir do Viognier que foram por muitos seculos considerados a igualdade com seus vizinhos da Borgonha. Mais no Sul, os brancos de Châteauneuf-du Pape hoje menos conhecidos que seus famosos tintos, são belas oportunidade de provar branco com potencial de guarda. Não mais tarde que a semana passada abrimos no escritório com a equipe um Châteauneuf du Pape Duclaux 2009 da minha querida amiga Florence Quiot e todo mundo ficou surpreendido pela potencia e a complexidade com um conjunto de frutas amarelas bem maduras, de marmelo, resina e baunilha que ele mostrou. Eu falei para meus colaboradores e eu falo para vocês, isso é o perfeito exemplo que mostra para todos nós que os vinhos brancos merecem nossa atenção, particularmente num país como o Brasil e seu generoso clima. Esse Châteauneuf-du-Pape aqui poderia perfeitamente combinar com numerosos pratos típicos daqui como um assado de costela de tambaqui e alecrim ou um famoso espeito de Pintado de Piracicaba. Minha equipe foi convencida e tenho esperança que você querido leitor terá mais ou menos tarde a bela experiência de provar um belo branco de 10, 20 anos ou talvez mais. Santé!

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